até dói de tão bom que é!
8.2.10
7.2.10
entras e fitas os monstros desfigurados de alma e os quantos imponentes olhos esbugalhados de ira a olharem para ti. os murmúrios quase inaudíveis desses espectadores apáticos disseminam-se pelo espaço frio e vazio, ouves os seus dedos estalar incessantemente de inquietação. incomoda-te. estão certamente a falar acerca de ti.
- desculpe, onde estou eu? - perguntas tu ao primeiro que vês.
- desculpe, onde estou eu? - perguntas tu ao primeiro que vês.
ninguém te responde. fazem-se alheios à tua presença.
interrogas-te e começas a questionar de forma absurda para onde hás-de ir. e de tanto o fazeres começas a pisar a insanidade. estás a fazer o que eles querem.
interrogas-te e começas a questionar de forma absurda para onde hás-de ir. e de tanto o fazeres começas a pisar a insanidade. estás a fazer o que eles querem.
nunca imaginaste observar-te na terceira pessoa. presenciar tudo o que tens de mau, a tua ignorância, os teus medos. ansiar ainda mais por tudo o que querias ter de bom.
perdes o tino. então, fraco, derrotado, rendes-te ao chão e pedes perdão por seres assim.
e eles ganham mais uma vez.
e eles ganham mais uma vez.
8.1.10
de uma fisionomia estreita, empregando uma indumentária curiosamente pitoresca, tocava notas de jazz/blues ao acaso que ecoavam pela baixa da cidade para quem se predispusesse a ouvir.
nem mesmo a indiferença dos transeuntes que se faziam moucos, absortos no compasso das seus passadas, praguejando contra o tempo, o impedia de soar o trompete meio tosco e gasto de muitas que foram as notas tocadas à desgarrada aos amores de verão, ou as inúmeras viagens sem destino por essa europa fora. aparentava tal.
apesar da pouca erudição musical, conseguia escutar-se em segundo plano toda uma subtileza sonora que prendeu a mais empenhada das minhas atenções. o indivíduo, que com imensa pena minha é o máximo que lhe posso chamar, precisava dela. estava estampado na sua expressão a partir do momento em que lhe fixei os olhos. ansiava que a sua música meia agarotada tocasse aos ouvidos de alguém como uma graciosa sinfonia faz as delícias de um auditório de gosto requintado. os cinquenta cêntimos foram apenas um bónus, até.
de súbito, surgiu um velho de faces ossudas e voz de sovinice do estaminé ao lado e pediu que sai-se dali pois o ruído incomodava-lhe o suposto ofício. e o indivíduo foi-se.
ao final do dia, ainda ouvi soar uns trechos de Armstrong ecoando de uma transversal qualquer, rogando ser apreciados. para que eu os escutasse uma última vez.
Etiquetas:
eu disse
Subscrever:
Mensagens (Atom)
